Era aquela historia comum: Menina começa a namorar adolescente, menina engravida, menina casa, menina tem uma filha, menina fica junto um tempão, menina separa. Esse é o resumo de grande parte da minha vida. Um dia eu acordei, muitos anos tinham se passado e eu era então uma mulher divorciada.
Na mesma época, uma antiga sócia minha me chamou para
trabalharmos em um grande escritório em outra cidade. Minha filha já morava com
o pai então me pareceu oportuno recomeçar a vida em um lugar onde ninguém de
fato me conhecesse. Foi assim que eu fui parar em Ribeirão Preto. A cidade me
deu o anonimato que eu precisava para começar a vida do zero. Tudo o que eu queria!
Recomeçar a vida significava implicava em muitas coisas, mas
após anos em um relacionamento infeliz, devo confessar que minha maior
prioridade era ir para a cama com outro cara (sim, eu só havia tido um parceiro
sexual a vida inteira e não me orgulhava disso). Pode me chamar do que quiser,
mas a liberdade de poder transar com uma outra criatura era meu objetivo máximo
de recomeço.
O universo conspirou e em menos de uma semana, numa festinha
de boas-vindas na nova empresa eu conheci o Caíque e rolou uma atração
imediatamente.
Após alguns coquetéis, fomos para a varanda do local fumar e
engatamos uma conversa maravilhosa sobre minha ida para a cidade e coisas para conhecer.
Conversa vai conversa vem, eu senti que a atração era recíproca, mas ele era um
pouco tímido, o que o deixava ainda mais atraente. Eu resolvi sentar e ao
cruzar as pernas, ele então notou que eu estava com uma sandália aberta e olhou
fixamente para os meus pés. O cara se transformou! O Caíque tímido deu lugar a
um cara altamente sedutor que de uma hora para outra me chamou para tomar um
vinho na casa dele na sexta feira
Como meu objetivo era dar para um outro cara e o Caíque
preenchia os requisitos eu não me fiz de rogada e aceitei.
Na quinta-feira,
véspera do encontro ele me mandou uma mensagem perguntando se poderia me fazer
um pedido e eu disse que sim: o pedido era esmalte vermelho nas unhas dos pés.
Eu nunca pinto as unhas dos pés, no máximo um esmalte
clarinho , mas aquilo era algo fácil de fazer e eu já tinha mesmo agendado
manicure no dia seguinte então, mesmo achando estranho eu topei.
Estou eu na manicure, quando chega uma outra mensagem do
Caíque (aqui eu devo confessar que a luz de alerta CRIATURA BIZARRA acendeu,
mas eu estava tão focada em transar que eu simplesmente ignorei ) pedindo uma
foto do meu pé com as unhas já pintadas. Respirei fundo , tirei uma selfie dos
pés e enviei. Foco , força e fé que eu ia transar em algumas horas e isso era
mais importante .
Cheguei no apartamento dele pontualmente às 8. Coloquei o
kit básico da sensualidade: Tubinho preto , sandália alta e uma lingerie mega
sexy. Caprichei na maquiagem e cabelo e claro , ostentava nas mãos e nos pés um
esmalte vermelho oportunamente chamado de “ Pura luxúria “. Embora meu estomago
estivesse embrulhado de nervosa eu toquei a campainha fazendo a cara mais
segura e sensual que eu conhecia.
Caique abriu a porta com uma taça de champanhe na mão e já na
entrada me deu um beijo na boca. Ali eu tive a certeza: a noite ia ser épica. Pica
era mesmo o que eu estava precisando. Música ambiente gostosa, velas e uma
atmosfera criada para me seduzir. Foi então que eu vi uma cadeira daquelas estilo
chaise longue estrategicamente posicionada no canto. A luz da lua entrando pela
janela e meus hormônios batendo forte o tambor como na música do grupo manauara
Carrapicho. Eu estava doida para tic, tic, tic tac .
Ele me conduziu até o local da chaise e me sentou com
delicadeza. Deu mais um beijo na minha boca e então deslizou até a ponta
colocando minhas pernas em cima e se ajoelhando em seguida para tirar minhas
sandálias. Tirou as sandálias, elogiou a cor escolhida e começou a beijar meus pés.
No começo eu achei sensual, me senti meio dominatrix, sei lá, empoderada com
aquele macho alfa beijando meus pés em submissão, achei que esse movimento
duraria só o tempo dele se empolgar e subir para a região das coxas, mas nada.
Os beijos foram se tornando mais intensos e calientes e aqui entra a parte que
eu não havia relatado antes: eu morro de cócega nos pés! Uma coisa é um
beijinho e outra era o que ele estava fazendo. Ele levantou as minhas pernas e
começou a lamber meus pés. Eu comecei a me contorcer toda, tentando segurar a gargalhada.
Não é nada fácil ser sexy sentindo cócegas. Vários minutos depois ,minha tentativa
de pagar de descolada e ok com a situação estava indo por água abaixo. Que
droga! Tudo que eu queria era um bom e velho sexo convencional. Ter um fetiche
em pés está ok mas ignorar todas as outras partes do meu corpo já era demais!
Começo a perder o controle da risada e então a tragédia acontece: ele inventa de enfiar o dedão do meu pé na
boca e dar uma chupada, como um reflexo involuntário de cócega incontrolável
meu outro pé que estava na mão esquerda do boy desfere um chute no meio da cara
dele. Tomba Caíque ao lado da chaise, gritando de dor e com um nariz,
obviamente quebrado.
Dali em diante foi sangue escorrendo, eu pedindo desculpas,
ele com cara de ódio, eu oferecendo para leva-lo ao hospital, ele recusando, eu
pegando minha bolsa, ele me botando para fora e a porta batendo atrás de mim.
Nada de sexo. Esse não era o desfecho que eu queria de jeito nenhum.
Segunda feira fico sabendo que ele estava de atestado médico
pós cirurgia o que aliviou bastante minha vergonha em encará-lo.
No começo me senti culpada, mas depois desopilei: Fetiche, fetiche,
trepadas à parte. Fiquei sabendo a posteriori que o negócio dele era só pé
mesmo , nada da boa e velha penetração , tudo o que eu queria .
A primeira tentativa de cavalgar num boy terminou em coice ,
bem verdade , mas eu não ia desistir assim . Agradeci ao universo o livramento
, fiz uma nota mental pra não ignorar mais meus alertas e segui minha vida , um
passo de cada vez .
CATEGORIA DO ESPECTRO : FETICHIUS DECEPCIONANTIS

Hahahhahahaha socorro
ResponderExcluirHahahhahahaha socorro
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